Antes da Abolição da Escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889), os brasileiros davam pouca importância à questão da raça. No período posterior à Proclamação da República já se percebia que o Brasil era um país vulnerável a uma invasão dos Estados Unidos. Esse sentimento se tornou mais presente com o prosseguimento da guerra européia. Neste momento houve um estímulo ao pensamento nacionalista, aos estudos da situação do Brasil e aos ideais de que a nação tinha uma identidade e um destino que podia e deveria ser controlado pelos brasileiros negando assim o darwinismo social implantado pelos europeus. As transformações políticas internas e a guerra fizeram consolidar uma nova relação com a Europa e com os Estados Unidos.
Segundo Thomas E. Skidmore em sua obra, Preto no Branco, a guerra fez crescer na elite brasileira uma necessidade de mobilização nacional, pois a última que aconteceu foi em 1865-70 para a guerra do Paraguai. Skidmore ressalta ainda que, o aumento da confiança nacional foi manifesta através do envolvimento do país na política internacional e por uma aliança feita com os Estados Unidos, através disto o Brasil atingiu maior visibilidade no cenário mundial.
Restava apenas uma questão para ser resolvida. Como o país se exibiria para as nações? Para tal questão a elite brasileira buscou como sempre, inspirações nas idéias européias onde eram comuns as discussões sobre a superioridade branca, muitas vezes alicerçada em estudos eurocêntricos que justificavam a inferioridade do negro com relação ao branco. Os escritores brasileiros já não se arriscavam mais dizendo que a raça não importava estes agora afirmavam que o Brasil passava por um processo de embranquecimento e, que, portanto estava caminhando para solucionar o problema.
Esses ideais europeus foram trazidos para o Brasil como uma doutrina de “branqueamento”, isto é, de que a população seria embranquecida com o tempo. Neste momento de nossa história, vários autores tiveram destaque na defesa deste ideal como: Gilberto Freire com sua obra Casa Grande e Senzala que teve grande repercussão. Outro que teve também grande destaque foi Oliveira Viana.
A maior demonstração do ideal tão arraigado no seio da elite brasileira foi o incentivo dado à imigração. Quando com o passar do tempo esse embranquecimento não se deu, os brasileiros se viram diante de um problema que não sabiam como lidar: o da raça.
Analisar a atitude dos intelectuais brasileiros (que acreditavam que o atraso do Brasil estava diretamente ligado a questão do clima tropical e a miscigenação racial) neste período nos mostra como os brasileiros explicam sua realidade social e a si própria, e como esse ideal perpassou os anos e é tão presente no cotidiano do brasileiro.
Além de querer implantar aqui no nosso país um modelo belle epoque ainda queriam clarear o povo, de certo o interesse deles era se sentir na verdadeira Europa....
ResponderExcluirValeu muito bom o texto!
Apesar de muitas discussões sobre o processo de miscigenação étnica no Brasil, continuamos ainda a ouvir opiniões como, "o Brasil não deu certo por causa dos negros"; "no Brasil não existe racismo"; "o brasileiro é preguiçoso, ao contrário do europeu."
ResponderExcluirSEU TEXTO É MUITO BOM E NOS FAZ REFLETIR SOBRE UMA SOCIEDADE PRECONCEITUOSA,ONDE SEUS LIDERES SÓ ESTAVAM PREOCUPADOS NO SEU PROPRIO BEM ESTAR.
ResponderExcluirobrigada
ExcluirApesar das muitas pesquisas feitas a respeito deste tema, há ainda muito preconceito, pois este sentimento esta incutido na sociedade, e perpassa por toda historia de homens e mulheres que se acham melhores pela cor de sua pele, e deste modo se fecham em seus "mundinhos", achando que tudo gira em torno dos seus proprios umbigos. E falando num país como o Brasil, é dificil encontrar alguém 100% branco. Mas é importante ressaltar que não importa a cor da pele, o que vale é que somos todos diferentes, pois a diferença é essencial. Valeu!!!!
ResponderExcluirvaleuuu
ResponderExcluirsamu